Por que adotar o formato GeoTIFF ao invés de ECW?
O formato ECW (Enhanced Compression Wavelet) foi extremamente importante para o mercado geoespacial, principalmente em uma época em que computadores possuíam pouca memória RAM, armazenamento limitado e conexões lentas de internet. Entretanto, atualmente existem alternativas abertas e modernas que oferecem excelente desempenho, alta compressão e ampla interoperabilidade.
O ECW é um formato proprietário, ou seja, depende de tecnologias e bibliotecas comerciais para sua utilização completa. Já o GeoTIFF é um padrão aberto e de domínio público amplamente adotado pela comunidade geoespacial internacional, sendo mantido pela Open Geospatial Consortium (OGC).
ECW no QGIS
O software livre QGIS consegue abrir arquivos ECW e visualizar normalmente os dados raster. Entretanto, a geração de novos arquivos ECW não é suportada nativamente nas distribuições oficiais do QGIS.
Isso ocorre porque a compressão ECW depende de bibliotecas proprietárias da Hexagon/ERDAS, cujo licenciamento comercial restringe sua redistribuição junto a softwares livres. Em outras palavras, a limitação está relacionada ao modelo de licenciamento do formato, e não à capacidade técnica do QGIS ou do GDAL.
Nesse contexto, o GeoTIFF surge como uma excelente alternativa aberta e moderna, suportando diversos métodos de compressão, como:
- JPEG
- LZW
- DEFLATE
- ZSTD
- Photometric YCbCr
Com essas técnicas, é possível reduzir significativamente o tamanho dos arquivos raster, chegando em muitos casos a cerca de 10% do tamanho original, sem comprometer significativamente a qualidade visual.
Além disso, o GeoTIFF permite configurações avançadas de otimização, como:
- Tilings: divisão interna do raster em pequenos blocos;
- Overviews (pirâmides): versões reamostradas em múltiplos níveis de resolução.
Essas técnicas aumentam consideravelmente a velocidade de carregamento, navegação e visualização das imagens, proporcionando excelente desempenho em softwares SIG modernos.
Na prática, um GeoTIFF corretamente otimizado pode apresentar desempenho equivalente — ou até superior — ao ECW, com a vantagem adicional de utilizar um padrão aberto, amplamente suportado e independente de fornecedores específicos.

e-PING e INDE
Outro ponto extremamente importante é que o formato GeoTIFF está totalmente alinhado aos padrões internacionais da OGC voltados à interoperabilidade e disseminação de dados geoespaciais.
A e-PING (Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico), definida pelo governo brasileiro, recomenda a adoção de formatos abertos para garantir a interoperabilidade entre sistemas computacionais.
Interoperabilidade significa a capacidade de diferentes sistemas, plataformas e instituições trocarem informações adequadamente, sem dependência tecnológica de fabricantes específicos.
Além disso, a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE), criada para promover o compartilhamento de dados geoespaciais nos âmbitos federal, estadual e municipal, também está alinhada aos padrões abertos definidos pela OGC.
Dessa forma, produtores de geoinformação que prestam serviços para órgãos públicos, universidades e instituições de pesquisa devem priorizar formatos abertos como o GeoTIFF, garantindo:
- maior compatibilidade;
- independência tecnológica;
- preservação de longo prazo;
- interoperabilidade;
- aderência às diretrizes governamentais.
GeoTIFF moderno: desempenho e otimização
Muitas pessoas ainda associam o GeoTIFF a arquivos “pesados” e lentos. Entretanto, isso normalmente ocorre porque o raster foi gerado sem qualquer otimização.
Atualmente, o padrão moderno de distribuição de imagens geoespaciais utiliza:
- compressão JPEG;
- pirâmides (overviews);
- tiling;
- Photometric YCbCr;
- COG (Cloud Optimized GeoTIFF).
Essas tecnologias permitem:
- leitura extremamente rápida;
- carregamento progressivo;
- melhor uso de cache;
- acesso parcial aos dados;
- melhor desempenho em nuvem e servidores.
Por isso, grandes instituições internacionais como NASA, USGS, ESA, Google e AWS utilizam massivamente o GeoTIFF e o padrão COG em seus serviços geoespaciais.
Aprenda a gerar GeoTIFF com compressão
Se você deseja aprender na prática como gerar arquivos GeoTIFF com compressão JPEG em imagens de satélite utilizando o OSGeo4W Shell, inclusive em processamento em lote, conheça o curso de Sensoriamento Remoto com QGIS da GeoOne.
Mas, se você precisa gerar GeoTIFF otimizado imediatamente, então confira o vídeo tutorial abaixo ensinando como realizar compressão raster com o plugin LFTools no QGIS:
Pirâmides com compressão no plugin LFTools
Ortomosaicos gerados por drones geralmente possuem dimensões extremamente grandes, tornando indispensável a utilização de overviews (pirâmides) para garantir uma navegação fluida no QGIS e em outros softwares GIS.
Entretanto, a construção de pirâmides pode gerar arquivos auxiliares (.ovr) bastante volumosos, principalmente em ortomosaicos de alta resolução.
Pensando nisso, o plugin LFTools possui um diferencial importante: a ferramenta “Pirâmides com Compressão”, que permite reduzir significativamente o espaço ocupado pelos níveis de overviews sem comprometer o desempenho de visualização.
Dessa forma, é possível obter imagens mais leves, rápidas e otimizadas para armazenamento, processamento e navegação.
Assista ao vídeo abaixo e veja como funciona:
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Referências:
- Guia de Interoperabilidade e-PING – Governo Federal:
https://www.gov.br/governodigital/pt-br/governanca-de-dados/Guia_de_Interoperabilidade_Manual_do_Gestor_2012.pdf - Catálogo de Geosserviços INDE:
https://inde.gov.br/CatalogoGeoservicos - Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais:
https://www.inde.gov.br/pdf/capacitacao/INDE–unidade03_Geoservicos_v06.pdf - GeoTIFF – Wikipedia:
https://en.wikipedia.org/wiki/GeoTIFF - IESCHECK, Andrea Lopes et al. Metodologia para geração de bases de dados geoespaciais em consonância com a infraestrutura nacional de dados espaciais (INDE) e com os padrões de interoperabilidade do governo eletrônico (e-PING). Revista Brasileira de Cartografia, v. 68, n. 7, 2016.



