NAS para Armazenamento de Originais de Aerolevantamento

NAS para Originais do Aerolevantamento

NAS para Armazenamento dos Originais de Aerolevantamento:

Como pequenas e médias empresas podem organizar, proteger e cumprir as obrigações de guarda com segurança e desempenho

O crescimento do uso de drones na topografia, georreferenciamento, mapeamento urbano e monitoramento ambiental trouxe um desafio inevitável: o volume de dados explodiu.

Hoje, mesmo uma pequena empresa de aerofotogrametria pode gerar:

  • 20 a 80 GB por voo fotogramétrico

  • 200 a 500 GB por projeto completo

  • 1 TB ou mais em levantamentos LiDAR

  • Centenas de gigabytes em vídeos 360° e inspeções técnicas

E isso nos leva a uma pergunta fundamental:

Onde e como esses dados estão sendo armazenados?

Para empresas cadastradas no Ministério da Defesa (MD), a questão vai além da organização: envolve obrigação de guarda dos Originais de Aerolevantamento (OA) conforme legislação vigente, incluindo a Portaria GM-MD nº 3.703/2021.

Mas mesmo para profissionais autônomos, produtores de conteúdo técnico ou empresas que trabalham com drones, a necessidade é a mesma:

✔ organização
✔ segurança
✔ redundância
✔ rastreabilidade
✔ preservação de longo prazo

Este artigo apresenta, de forma técnica e didática, como o uso de NAS (Network Attached Storage) pode estruturar essa governança — desde soluções de baixo custo até infraestruturas mais robustas.


1. O que são os Originais de Aerolevantamento (OA)?

O OA é o dado bruto capturado diretamente durante o levantamento, antes de qualquer processamento.

Exemplos típicos:

  • Imagens originais (RAW, JPG, TIFF)

  • Dados LiDAR brutos (LAS, LAZ)

  • Registros GNSS e PPK

  • Logs de voo

  • Metadados de missão

  • Arquivos do sensor

É fundamental entender:

O OA não é o ortomosaico, não é o MDT e não é o modelo 3D.
O OA é a fonte primária da verdade técnica.

A legislação estabelece que esses dados devem ser mantidos sob guarda da entidade executante por período mínimo definido em norma. Além disso, alterações relevantes podem exigir comunicação ao MD.

Do ponto de vista técnico e jurídico, perder o OA pode significar:

  • Impossibilidade de auditoria

  • Risco contratual

  • Prejuízo financeiro

  • Perda de credibilidade

  • Não conformidade regulatória


2. O problema da “pilha de HDs externos”

Muitas empresas ainda armazenam seus dados em:

  • HDs externos individuais por projeto

  • Pastas desorganizadas

  • Cópias duplicadas

  • Discos sem controle de integridade

  • Equipamentos sem redundância

Esse modelo apresenta riscos sérios:

ProblemaConsequência
Falha física do discoPerda total do projeto
Roubo ou incêndioPerda definitiva
Exclusão acidentalSem recuperação
Falta de inventárioDificuldade de auditoria
Ausência de controle de acessoRisco operacional

Se existe apenas uma cópia, você está correndo risco.


3. O que é um NAS e por que ele muda o nível da operação

NAS significa Network Attached Storage.

É, basicamente, um servidor de armazenamento conectado à rede da empresa, permitindo:

  • Centralização dos dados

  • Acesso controlado por usuários

  • Redundância via RAID

  • Backup automatizado

  • Compartilhamento interno estruturado

  • Logs e rastreabilidade (dependendo da plataforma)

Ele transforma o armazenamento de algo informal em uma infraestrutura de dados.


4. RAID não é backup (mas é essencial)

Uma confusão comum:

RAID ≠ backup

RAID (redundant array of independent disks) protege contra falha física de disco.
Backup protege contra exclusão acidental, ransomware, incêndio ou erro humano.

Exemplo:

4 discos de 12 TB em RAID 5
Capacidade útil aproximada: 36 TB
Um disco pode falhar sem perda de dados.

Isso já eleva o nível de segurança comparado a um HD externo isolado.


5. A estratégia 3-2-1 aplicada ao OA

A melhor prática internacional de gestão de dados recomenda:

  • 3 cópias do arquivo

  • 2 tipos diferentes de mídia

  • 1 cópia fora do local físico

Aplicando ao aerolevantamento:

CamadaExemplo
Cópia 1NAS principal
Cópia 2Backup externo USB ou outro NAS
Cópia 3Backup em nuvem ou unidade fora da sede

Essa estratégia reduz drasticamente o risco de perda.


6. Soluções NAS de pequeno porte (baixo custo e profissionalização inicial)

Indicadas para:

  • Pequenas empresas

  • Autônomos

  • Estúdios técnicos

  • Operações com até dezenas de TB por ano

Exemplos de NAS no mercado

UGREEN NASync

Boa alternativa de custo-benefício, 4 baias, suporte a RAID, adequado para quem está saindo do modelo de HD externo.

Vantagens:

  • Custo inicial mais baixo

  • Fácil configuração

  • Boa capacidade de expansão

Limitações:

  • Ecossistema de software mais simples

  • Recursos avançados de auditoria limitados


Synology DiskStation

Mais robusto no software (DiskStation Manager), com recursos avançados de snapshots, logs e controle de usuários.

Indicado para:

  • Empresas que desejam governança mais estruturada

  • Ambientes com múltiplos usuários


QNAP

Alternativa semelhante à Synology, com foco em desempenho e opções mais técnicas.


7. Soluções de médio porte (crescimento e maior governança)

Indicadas para:

  • Empresas com 50–150 TB por ano

  • Equipes com vários operadores

  • Projetos simultâneos

Características desejáveis:

  • 6–8 baias

  • Rede 2.5GbE ou 10GbE

  • Snapshots

  • Controle de permissões por grupo

  • Logs detalhados

  • Replicação entre unidades

Nessa categoria, Synology e QNAP se destacam.


8. Soluções de grande porte (alta exigência e desempenho)

Indicadas para:

  • Grandes empresas

  • Operações governamentais

  • Projetos estratégicos

  • Ambientes com TI dedicado

Características:

  • 8+ baias ou rack

  • RAID 6 ou RAID 10

  • Alta disponibilidade

  • Redundância de energia

  • Rede 10GbE ou superior

  • Replicação automática entre sites

Aqui já falamos de infraestrutura corporativa.


9. O NAS atende aos critérios do MD?

Do ponto de vista técnico, qualquer um dos NAS citados acima pode atender às exigências de guarda, desde que:

✔ haja inventário formal dos projetos
✔ exista controle de acesso definido
✔ backups estejam implementados
✔ a preservação seja garantida
✔ alterações relevantes sejam comunicadas quando exigido

O equipamento é apenas a base.
A conformidade depende do processo interno.


10. Estrutura recomendada de pastas para OA

Exemplo de organização:

/OA
   /2025
      /Projeto_Cliente_X
          /RAW
          /GNSS
          /Logs
          /Metadados

 


11. Checklist técnico para implantação de NAS para OA

✔ Utilizar HDs próprios para NAS (IronWolf, WD Red Plus ou equivalentes)
✔ Não misturar modelos diferentes sem planejamento
✔ Configurar RAID adequado
✔ Implementar backup externo
✔ Testar recuperação periodicamente
✔ Configurar permissões por usuário
✔ Manter inventário atualizado
✔ Monitorar saúde SMART dos discos
✔ Utilizar nobreak


12. Conclusão

O crescimento do aerolevantamento exige maturidade na gestão de dados.

O OA é um ativo técnico, jurídico e estratégico.

Armazená-lo de forma informal é um risco.

Um NAS representa:

  • Profissionalização

  • Segurança

  • Organização

  • Escalabilidade

  • Conformidade

Pequenas empresas podem começar com soluções de baixo custo e evoluir conforme crescem.

Grandes empresas precisam de infraestrutura robusta e políticas formais.

Mas o princípio é o mesmo para todos:

Governança vem antes da tecnologia.
O NAS é a ferramenta.
O processo é o que garante segurança.

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Organizar corretamente os Originais de Aerolevantamento é apenas um dos pilares de uma operação madura.

A outra parte — igualmente fundamental — é garantir que:

✔ o laudo técnico esteja estruturado conforme exigência normativa
✔ os dados estejam consistentes
✔ o processamento seja conduzido com metodologia adequada
✔ a documentação atenda aos critérios esperados pelo MD

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